quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Comemorando 20 anos de parceria com a Odebrecht

Há duas décadas, Sabrina Gledhill e a Organização Odebrecht iniciaram uma parceria duradoura – ela como parceira e fornecedora e a Odebrecht como parceira e cliente. “É uma relação que é eterna enquanto dura,” brinca Sabrina. Inglesa, ela veio para o Brasil no final de 1986, com o intuito de fazer pesquisas preliminares para um doutorado em História – já estava matriculada na UCLA, nos Estados Unidos. Pretendia passar 3 meses na Bahia, mas acabou ficando. Depois de casada e já grávida de 7 meses de sua filha Isis, foi indicada para dar aulas de inglês a um diretor da Odebrecht. Aos poucos, num processo de educação no e pelo trabalho, foi incumbida com a responsabilidade de fazer as traduções da Holding da organização, inclusive as Edições Culturais (hoje Prêmio Clarival do Prado Valladares), a revista Odebrecht Informa (OI) e o Relatório Anual. Nesta entrevista, Sabrina relembra alguns dos marcos deste relacionamento.

P – Com esse nome, podemos considerá-la 100% inglesa?

R – Bem, meu nome é 100% britânico. Sabrina é o nome que os romanos deram ao Rio Severn, no sul da Inglaterra. Gledhill vem do norte, assim como meus pais. Eu nasci na cidade de Brantford e cresci em Porto Rico, onde cheguei com 18 meses e saí com 11 anos e meio, e depois passei quase 7 anos nos Estados Unidos, até que minha família finalmente voltou para a Inglaterra. Sempre me considerei inglesa, com muito orgulho, mas antropologicamente falando, sou latino-britânica ou anglo-latina.

P – Porto Rico é uma colônia bilíngüe dos Estados Unidos. Você fala espanhol?

R – Desde criança, mas, no início, nem sabia por que ou como eu cheguei a ter este dom. Felizmente, comecei a estudar a língua formalmente antes de deixar Porto Rico e continuei no High School e na Escola Internacional da ONU (UNIS) em Nova Iorque. Caso contrário, teria esquecido, como aconteceu com meus irmãos, que são boricua de nascença – todos os três nasceram na cidade de Ponce, na costa sul de Porto Rico. Consegui manter a fluência porque morei na Espanha (em 1977) e em Los Angeles (de 1978 a 1986), mas depois de tantos anos no Brasil, está um pouco enferrujado.

P – Falar espanhol facilitou sua aprendizagem da língua portuguesa?

R – Sem dúvida. O desejo de aprender português começou quando eu tinha 10 anos e minha família foi passar as férias na Inglaterra e Portugal. Fiquei frustrada porque, durante nossa estada em Lisboa, os portugueses entendiam meu espanhol mas eu não entendia nada do que falavam. Quando fiz o mestrado em Estudos Latino-Americanos na UCLA (onde me formei em 1986), aproveitei a exigência de língua portuguesa. Para mim foi uma grata opção. Fiz um curso acelerado para alunos que já falavam espanhol. Foi bom, porque quando cheguei ao Brasil, ainda falava pouco, mas tinha uma boa base de gramática. Infelizmente, continuo sem entender o que os portugueses falam, mas pelo menos, acontece o mesmo com quase todos os brasileiros. Textos escritos, eu entendo.

P – Como foi sua chegada à Odebrecht?

R – Foi por recomendação do Prof. James Riordan, um norte-americano quase baiano que já mora aqui há mais de 30 anos. Na época, ele era diretor acadêmico da Acbeu – a Associação Cultural Brasil-Estados Unidos. Comecei como professora de inglês de Luiz Edmundo Prestes Rosa e quando ele se desligou da empresa, seu sucessor, Márcio Polidoro (hoje Responsável por Comunicação Empresarial na Odebrecht S.A.), tornou-se meu aluno e cliente-parceiro também. Quanto às traduções, foram chegando aos poucos. Seguindo a filosofia da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO), Luiz Edmundo, seguido por Sergio Foguel – hoje Membro do Conselho da Odebrecht S.A. – quando Responsável por Planejamento e Desenvolvimento (o que incluía a revista OI e as edições culturais) e Márcio Polidoro me confiaram cada vez mais responsabilidade. Já traduzi 14 edições da Odebrecht, inclusive "Sobreviver, Crescer e Perpetuar", "Educação pelo Trabalho" e "De Que Necessitamos?", de Norberto Odebrecht, e o mais recente livro do Prêmio Clarival do Prado Valladares que está sendo lançado este mês (novembro de 2008).

P – Mas a Odebrecht já estava em vias de se tornar uma empresa multinacional. Porque não contrataram tradutores nos Estados Unidos, por exemplo?

R – Era justamente o que faziam até o final de 1988. Um perfil da empresa foi traduzido nos EUA, mas quando me pediram para revisar, percebi que havia um problema que transcendia a língua em si – os tradutores de lá não conheciam as realidades do Brasil.

P – Pode dar um exemplo?

R – O exemplo mais marcante foi a tradução do título do livro “Real Forte Príncipe da Beira” como “Royal Strong Prince of Beira” – como se fosse o nome de um príncipe real...e forte! Foi nesse momento que consegui convencer o cliente que seria melhor trabalhar com uma profissional que conhece ambas as línguas e ambas as realidades.

P – Mas você era professora de inglês na época. Simplesmente confiaram no seu potencial?

R – De certo modo, sim, mas também me pediram para apresentar meus diplomas de bacharelado e mestrado. Nada mais justo. Tenho graduação em Letras Inglesas, Summa cum Laude (conceito máximo), e mestrado em Estudos Latino-Americanos, com enfoque na História, Antropologia e Ciência Política do Brasil na virada do século XIX. Ambos pela Universidade da Califórnia em Los Angeles – UCLA (por sinal, uma das “alma mater” do Sergio Foguel). Também, me formei na única “escola de jornalismo” que tinha na UCLA – o jornal Daily Bruin, onde cheguei a ser Editora responsável pela seção de Cultura e Lazer – e trabalhei com tradução e editoração de livros no Centro de Estudos Latino-Americanos e no Centro de Estudos Afro-Americanos da mesma faculdade.

P – Então foi um golpe de sorte para ambas as partes?

R – De certo modo, mas também acho que foi graças ao meu amigo e mentor James Riordan, que fez o papel de “cupido”. Foi o início de uma relação que é eterna enquanto dure. Compartilhamos os mesmos valores e a mesma filosofia de trabalho. Tive a oportunidade de colaborar diretamente com Sergio Foguel quando comecei. Trabalhamos juntos para forjar o “vocabulário da Odebrechtês” em inglês.

P – As traduções da Odebrecht são diferentes dos textos convencionais?

R – Com certeza, quando tem a ver com a TEO, sim. Por exemplo, o Sergio me explicou que, para a Odebrecht, o termo “empresário” tem que ser traduzido como “entrepreneur” (também pode ser “business leader”, dependendo do contexto) e não “businessperson” por causa da filosofia da organização, que já estava se tornando uma referência e é hoje aceita e aplicada no mundo todo. Os conceitos do empresariamento e do empreendedorismo ainda eram muito incipientes no mundo dos negócios. Desenvolvemos um livreto com o glossário básico em inglês e português. Ao mesmo tempo, acabei assimilando a TEO em inglês e português.

P – Quando foi que começou a traduzir as edições culturais da Odebrecht?

R – Mais uma vez, foi através do processo de educação no e pelo trabalho. Comecei revisando livros traduzidos por outros profissionais. O primeiro foi "Carybé". Minha filha Isis estava recém nascida e revisei os textos com ela dormindo no Moisés, ao meu lado. No ano seguinte, traduzi o livro "Bahias" para a Editora Corrupio e logo depois surgiu a oportunidade de fazer minha primeira tradução de um livro para a Odebrecht – "Angola e a Expressão de Sua Cultura Material".

P – A Odebrecht trabalha com outros tradutores de longa data?

R – Quando cheguei, tinha um tradutor para o francês e uma tradutora para o espanhol – Maria da Glória Rodriguez (mais conhecida como Nené Werneck). A Nené tem muito mais tempo de Odebrecht do que eu, mas não tenho coragem de perguntar quanto! Ela, junto com a filha, Maria da Glória Lampreia, faz as traduções da revista Odebrecht Informa e dos livros traduzidos do português para o espanhol, ou vice-versa. Formamos uma parceria que chamamos a Central Unificada de Tradutores – CUT, trabalhando diretamente com a Versal, a editora responsável pela revista Odebrecht Informa e outras publicações da Odebrecht, e Maria Célia Olivieri, que coordena as edições em inglês e espanhol, mas também atendendo às demandas da Holding e das empresas da Odebrecht – e o programa do Prêmio Clarival do Prado Valladares, é claro.

P – Quais são seus planos para o futuro?

R – Agora tenho duas filhas, a Isis e a Bárbara. Ambas estão na faculdade e a Bárbara está prestes a se formar em Turismo. Chegou a hora de retomar meus estudos e, se Deus quiser, vou voltar à academia e fazer um doutorado em História ou Estudos Étnicos na UFBA.

P – Pretende continuar a trabalhar na área de tradução?

R – Enquanto tiver demanda e trabalho, continuarei, sim, porque tenho vocação e paixão por esta arte e ofício, mas minha grande paixão – minhas filhas aparte – é a pesquisa. Estou estudando as relações raciais do Brasil e dos Estados Unidos – com enfoque em Manuel Querino e Booker T. Washington – e a presença britânica na Bahia. Com o apoio da pequena equipe de tradutores que estou formando, conseguirei conciliar os estudos e o trabalho.

P – E quanto à Bahia? Pretende morar aqui para sempre?

R – Nunca digo nunca, nem sempre. Mais uma vez, é uma paixão eterna enquanto dure. Mas por enquanto, não consigo me imaginar morando em outro lugar. A Bahia para mim é como a terra onde cresci. As grandes diferenças são a língua e a moeda, mas as paisagens, os climas e os povos são quase iguais.

Serviços prestados à Odebrecht - destaques

Livros bilingües revisados:
  • 1989 Carybé
1990
  • Nordeste Histórico e Monumental Vol. IV
Livros traduzidos (português>inglês):

1991
  • Angola e a Expressão de Sua Cultura Material
1992
  • Educação pelo Trabalho
1993
  • Mapa – Imagens da Formação Territorial Brasileira
  • 2a edição de Sobreviver, Crescer e Perpetuar
1994
  • O Brasil dos Viajantes
1996
  • Graminho, Alma do Saveiro

1998
  • O Exército na História do Brasil
  • 3a edição de Sobreviver, Crescer e Perpetuar
2003
  • O Livro dos Livros da Biblioteca Real
  • Desafios da Engenharia no Portugal
  • Azulejos Reitoria da Universidade Federal da Bahia
2007
  • A Talha Neoclássica na Bahia
  • Calasans Neto
  • Escrito na Pedra: cor, forma e movimento nos grafismos rupestres da Bahia

2008
  • De Que Necessitamos
  • A História do Brasil de Frei Vicente do Salvador

Outros destaques:
  • Versão inglesa da revista Odebrecht Informa, a partir de setembro de 1991
  • Versão inglesa do Relatório Anual da Organização Odebrecht, a partir de 1989

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